T - E - X - T - O - S

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Greater Then Myself [para Di]

You are too great for my heart.
So it expands for you.
But your is bigger then mine,
Which means you will never fit in it.

As a non-planned city, it grows.
With no structure what-so-ever,
Painfully,
My heart gives you a home.

And if you go away,
It will collapse,
For at your disappearance,
It will implode.
Empty, inexistantly,
Unloved.
Ricardo Cardoso de Lima e Silva
31/10/2008

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Flores Mortas

Foge a lembrança do teu rosto.
Pois és somente isso;
Lembrança.
Sem lugar no tempo,
De todo tempo perdido.
Não fazes sentido.
Não tem pés, nem braços.
Nem rosto.
Um algo afogado
No fundo de caixa que não sabe onde está.
Não te evoca, o pensamento.
Se eras miúda e tinha olhos tristes.
Se no peito guardava
O que não se deve guardar.
Então tua voz terminava em coro,
Com o resto das coisas barulhentas.
E os dias não amanheciam,
Pra não te atrapalhar o sono.
A beleza que te deixa correr solta contra o vento.
Mas tu escapas de qualquer gravura,
E nos derrama as mágoas da vida.
Talvez teu pranto
Vá silenciar de vez as tantas folhas,
Voando mortas de encontro ao chão.

Rio, 22 de Fevereiro de 2008

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Assim é o Mundo

A sucessão de pleonasmos redundantes;
O pretérito perfeitamente imperfeito;
As máscaras impostas pelas metáforas;
Tempos traçando tantas aliterações;
Palavras ababacadas a acabar em assonâncias.

Poesia romântica
Entre tantas instâncias
De espírito constantemente
Atordoado de amor.

Rimas aleatórias,
Sem pé nem cabeça,
Saindo das mesas
E entrando nas memórias.

Prazerosa e angustiante.
Fórmulas insanas.
Um ajuste de variáveis
Translatando,
Rotacionando.

O voar de aves,
Nadar de peixes
E caminhar de mamíferos.
A esquelética forma
De artrópodes invertebrados.

A arte de amar e estar.
O modelo perfeito,
Inexistente.
A folha em branco.

O mundo,
Cada vez mais político,
Com menos forma,
Menos sonhos.

A atenção radiante
Do, e no, amor.
Quanta quanta em uma reação?

As evoluções febris,
Exponenciais,
Fatorando a alma
Em aspectos algébricos.

A repetição de eventos.
A demarcação de terrenos,
De história física.
De vida.
Ricardo Cardoso de Lima e Silva
20/12/2007

sábado, 19 de janeiro de 2008

Sem Título

Estranho o Rio,
Depois de chuva.
Voltam os pombos
E o barulho urbano.
Volta gente nas janelas
Abertas.
Volta o branco
Nas calçadas
E a negra imponência
De montanha lá fora.
O primeiro suspiro
Depois da chuva

Quem sabe amanhã.


Rio de Janeiro, 19 de Janeiro de 2008

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Sem Título

Cheiro o mar.
Na ponta da língua inerte
O fio negro que
Ainda pende dos cabelos
Dela.
Deito o mar.
Se vão as horas de beijos
Que não cabem entre os seios
De cidade em
Fantasia.
Onde fica a janela
Para jogar-lhe no sal
Que abunda as feridas?

Rio de Janeiro, 23 de Dezembro de 2007

domingo, 13 de janeiro de 2008

Corrida Solitária

O ritmo do teu coração
Me envolve.

Meus pés corridos
Se posicionam,
Como um robô,
Um à frente do outro.
Todavia, meu impulso, mecânico não é.

Teus arquejos se blindam nos meus.
Meu cansaço é tua exaustão.

Enquanto teus seios nus
Se postam em minha boca,
Meus braços se movimentam
Sem desistir do ímpeto,
Da inércia.

Teus movimentos repetitivos
Motivam-me a continuar os meus.

Às carícias de minhas mãos
Tu sucumbes aos arrepios.
Teus gemidos são tesouro.

Nossos corpos se fundem
Ao calor de nossos afagos.
Minha mente se torna a tua,
E a tua vive na minha.

E o teu orgasmo é minha satisfação.
A hipnose se torna escravidão.

Tu corres comigo.

Tua presença não me pesa o peito,
Nem mesmo minha consciência.

Tu sorris quando eu sorrio
E eu sorrio sem te notar.
Tua angelicalidade me persegue,
Trata-me injustamente bem.

Ao sentir saudades,
Quando os sonhos me pregam peças,
Toco-te e tu és minha para sempre.
Nesses sonhos infantis
Tu me acalmas.
"Hei de esperar contente
Pois tua vida é apenas uma,
Como a minha foste ao teu lado.
Um dia seremos ambos concretos de novo
Para que nossa abstração
Seja subjetiva em nossos relentos de amor".

Eu obedeço,
Hipnotizado.

Ricardo Cardoso de Lima e Silva

23/12/2007

domingo, 23 de dezembro de 2007

Tic-Tac

O tempo transcrito
Transtorna o transeunte,
Transpassa o traçado,
Transforma o traço.

Tu tendes a ter
Transfigurações tenebrosas.
Tropas de tambores
Tiram tua tranqüilidade.

Em tantos tempos
Tantas tralhas
Trançaram tuas têmporas.
Quando até tardar, tempestades.

Trocas tramadas
Transferiram tentações.
Com o transporte do tato
O toque te trava.

Tentas tirar tudo
Do teu texto.
Todavia, o tempo
Que assim te trata, te tem.


Ricardo Cardoso de Lima e Silva
02/11/2007

terça-feira, 20 de novembro de 2007

mais um sem título

Às vezes, mesmo no outono,
O cheiro da primavera
Enriquece-nos os pulmões.
Algo aflora nessa parte de fauna
Que somos nós.

Nossos desejos se encontram.
Mútuos, intensos, naturais,
Controlam-nos a mente e o corpo.
Nossos corpos ferventes
Transigem à fantasia.
Nossas carcaças se colam,
Umas às outras,
Na esperança
De que nos tornemos um só.

Mas o espaço de um, é dele.
E somente dele,
Para gozar da liberdade de ser.

E nossos logos se conformam,
Em ter tido nossa noite fogosa
E o prazer que será,
Em alguma dimensão,
Eterno.

Ricardo Cardoso de Lima e Silva

19/11/2007

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Poema

Essa é uma tradução que fiz, de um poema do Pablo Neruda.


Se me esqueceres
(Pablo Neruda)

Quero que saibas
uma coisa.

Sabes como isso é:
se olho
a lua de cristal, o galho vermelho
do outono lento à minha janela,
se toco
perto ao fogo
a cinza impalpável
do corpo enrugado do tronco,
tudo, a ti, me levas,
como se o que existe,
cheiros, luzes, metais,
fossem pequenos barcos
que navegam
para tuas ilhas que por mim esperam.

Mas,
se aos poucos deixares de me amar
à ti deixarei de amar aos poucos.

Se de repente
me esqueceres
não me procures
pois, por mim já deves ter sido esquecida.

Se pensas louca e longamente,
ventos conspícuos
que sopram por minha vida,
e decides
deixar-me à beira-mar
do coração onde criei raiz,
lembres
que em tal dia,
à tal hora,
erguerei os braços
e minhas raízes planarão
à procura de outra terra.

Mas
se cada dia,
cada hora,
sentires teu destino em mim
com implacável doçura,
se cada dia uma flor
subir-te os lábios à minha procura,
ah meu amor, ah meu eu,
em mim o fogo se repetirá,
em mim nada se extingui ou se perde,
do teu, meu amor se nutre, amada,
e enquanto viveres estará em teus braços
sem que deixe os meus.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Nudez

A flor de seu gozo
Lento,
No alto
Do salto
Vermelho
(seus pés me
pisam e
engolem
como afogar-se
na corrente).

Ela respira,
E dorme.
Suor de
Pudor
Dos olhos escuros
(não sei se
falo
ou deito
ao seu lado;
não dormirei
em seus braços).

O ventre
Entrelaçado
De passado,
Resiste
Ao toque
(devo perceber
a Nudez
nos olhares
que não
trocamos)?

Guilherme Lanari Bo Cadaval 24/9/2007

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Versos em Quarto Fechado

Perder a vida
Na vida.
Não é ilusão de sexo,
Nem a carne ferida.
Nem estrela
Que brilha
Por não ser impedida.
Mas euforia contida.
Sabor
Do saber
Ser.
O nada em cada tudo.
Nada faço
Com a vida
Ela que me faz.
Fez e fará.
Lembraremos juntos
O verão
De nossas idas.

Guilherme Lanari Bo Cadaval 15/9/2007

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Poema

Subversiva
(Ferreira Gullar)

A poesia
quando chega
não respeita nada.
Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
de qualquer de seus abismos
desconhece o Estado e a Sociedade Civil
infringe o Código de Águas
relincha
como puta
nova
em frente ao Palácio da Alvorada.

E só depois
reconsidera: beija
nos olhos os que ganham mal
embala no colo
os que têm sede de felicidade
e de justiça

E promete incendiar o país.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Sacrifício

Num instante foi o sangue, o horror, a morte na lama do chão.
– Segue, disse a voz. E o homem seguiu, impávido
Pisando o sangue do chão, vibrando, na luta.
No ódio do monstro que vinha
Abatendo com o peito a miséria que vivia na terra
O homem sentiu a própria grandeza
E gritou que o heroísmo é das almas incompreendidas.

Ele avançou.
Com o fogo da luta no olhar ele avançou sozinho.
As únicas estrelas que restavam no céu
Desapareceram ofuscadas ao brilho fictício da lua.
O homem sozinho, abandonado na treva
Gritou que a treva é das almas traídas
E que o sacrifício é a luz que redime.

Ele avançou.
Sem temer ele olhou a morte que vinha
E viu na morte o sentido da vitória do Espírito.
No horror do choque tremendo
Aberto em feridas o peito
O homem gritou que a traição é da alma covarde
E que o forte que luta é como o raio que fere
E que deixa no espaço o estrondo da sua vinda.

No sangue e na lama
O corpo sem vida tombou.
Mas nos olhos do homem caído
Havia ainda a luz do sacrifício que redime
E no grande Espírito que adejava o mar e o monte
Mil vozes clamavam que a vitória do homem forte tombado na luta
Era o novo Evangelho para o homem da paz que lavra no campo.

Vinicius de Moraes
Rio de Janeiro, 1933

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Sofia

Sofia toma calmantes.
Assalta-me o corpo
Em noites distantes.
Se joga logo ao fronte;
Sofia nada teme.
(só barata pela janela).
Nela me encontro.
Em meio ao caos
De tantos dias.
Tantos dizeres e fazeres.
Tantas nuvens
De papel
Voando.

Vejo Sofia lá no alto,
Sempre sorriso no cenho.
(Sofia me rouba tudo que tenho).
E acena.
Ou talvez espante os mosquitos
A beber-te o sangue.

Às vezes no mau tempo,
Me jogo à terra
Esperando Sofia
Ser chão.

Guilherme Lanari Bo Cadaval 2/9/2007

domingo, 16 de setembro de 2007

Desde o Primeiro Instante

Visão me embaraça;
Olfato me tranqüiliza;
Audição me amedronta;
Tato me arrepia;
Paladar me alegra.

Pois ao último instante
Já és minha.
E nossas línguas se roçam.
Tuas coxas me prendem.
Dançamos a noite inteira.
Perdemos-nos entre prazeres e orgasmos.
És minha por uma foda.
Sou teu pela eternidade.

Ricardo Cardoso de Lima e Silva
06/09/2007

sábado, 15 de setembro de 2007

Poema

Por Ela
(Carlito Azevedo)

Perdera – era a
perdedora. Repara
como anda, não lembra
uma onda morta de medo
pouco antes de
desabar sobre a areia?
Você se pergunta: o
que pode fazer por ela
o poema? Nada, calar
todos os seus pássaros
ordinários –o que lhe
soaria como bruscas
freadas de automóvel.
Se ele pudesse abraçá-la
em não abraçá-la. Mas
ainda assim a quer
reviver e captar, faz
os olhos dela brilhar
numa assonância boa e,
invisível, faz do corpo
dela o seu. Repara
ainda um pouco. Mais
do que se pensa, ele a
perdeu: com a areia do
seu deserto amoroso
ergueu-lhe sua
triste ampulheta. Fim.
Perdera

era

o

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Problema

Eu faço Engenharia Elétrica na UFRJ e é muito difícil escrever pensando em números todos os dias da semana. Por isso, estou ficando sem textos para postar.
Tentarei postá-los ao máximo, mas enquanto isso, imitarei meu sócio e postarei textos de artistas aleatórios.

Por hoje é só.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Retorno

Tenho alguns poemas, que escrevi durante essa pequena ausência, e vou postar aos poucos, intercalando com textos de diferentes autores. Vai aí o primeiro, espero que gostem:


Vertigem

Caio.
Em casa sem chão e tábuas
De madeira velha
Que alinhei junto ao colchão
Nas mil noites mal dormidas
Sem unha pra agarrar
A mão a mim estendida,
Caio.

Medo no escuro

Sento.
No banco vermelho
Exposto em meio ao serrado
Eu amarrado e com mordaça de flores
Pra sangrar todos meus amores
Que passam distantes
Onde os dedos não chegam,
Sento.

Tiro no peito

Sinto.
O tempo correndo
Sempre em demasia
De poucas palavras
E tics e tacs do relógio
Que bate só na cozinha
E me invade toda vez quando vou mijar,
Sinto.

Parado no ar

Vejo.
Redentor lá no alto
Roubando-me a cama
Sem lençóis nem fronhas
E vazia de mim
Que sento na sala
Em meio a fumaça
Pensando quanto tempo ainda falta
Para que algo aconteça.

Guilherme Lanari Bo Cadaval 6/9/2007

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Insônia

Meus olhos cansados
Fecham-se ardidos.
Meu corpo dolorido
Se revira na cama.
Minha mente exaurida
Pensa erroneamente.

Suplico por ti.
O desgaste diário
Passara o limite.
“Venha logo” penso.

Meus olhos fechados
Se cansam de arder.
Meu corpo revirado
Dói na cama.
Minha mente pensativa
Erra ao descansar.

“Trabalho inacabado”.
Tento relaxar,
Respiro fundo
Desejo-te.

Meus olhos ardidos
Se fecham para o cansaço.
Meu corpo, na cama,
Revira sua dor.
Meu pensamento errado
Mente o repouso.

Tua presença
Me ilumina.
Tua demora
É compensada.
Tu, finalmente,
Me pões a dormir.
Ricardo Cardoso de Lima e Silva
28/08/2007